Performance midiática e o clipe como camada visual da canção

bolsas-de-estudo-para-fundação-carolina-dicas-press-abroad-12O texto abaixo é parte editada da monografia intitulada “We were Born to The Blues: uma análise da melancolia em Lana Del Rey e Lady Gaga, defendida pelo autor deste blog na Universidade Federal de Pernambuco.


Para início de conversa, entende-se por performance midiática a execução das canções através dos respectivos suportes (CDs e arquivos MP3) disto isto, partimos do princípio de que o fato das faixas musicais estarem alocadas em mídias, tal qual as palavras são grafadas num livro, a performance dessas canções estão também estão inscritas, registradas, neste caso, nos suportes midiáticos citados. Ter o arquivo com as canções, ou o álbum de um artista mantém o público com acesso ao material sonoro, além disso, as rádios contribuem para a execução das canções que saltam de posições nas paradas mundiais trazendo a tona uma dinâmica de repetição das audições das faixas. Para Jeder Janotti Jr, as execuções midiáticas provocam determinados fenômenos que vão da familiarização com o artista a identificação do público:

“É preciso destacar que, sendo registrada em suporte midiático, a canção tem sua performance inscrita: seja nas condições de registro vocal, na dinâmica de audição (que poderá ser galgada na repetição), na organização em torno de álbuns fonográficos, no alcance de circulação e nas configurações que regem o star system da música popular massiva. As execuções midiáticas das canções populares massivas não só permitem tornar as vozes dos cantores familiares ao cidadão comum, como também resultam na identificação desses cantores a partir de signos (JANOTTI, 2008, p. 96).”

No trecho, é possível perceber que a performance do artista é desmembrada e o cantor ou banda, passa a contar com outros meios de aproximação com o público. Além do artista em si, existe o álbum fonográfico com um conceito próprio e se atendo aos processos midiáticos, levando em conta as rádios, emissoras de televisão e canais musicais, ficamos em face às “armas” de longo alcance que reproduzem o material sonoro e os clipes. Antes da configuração midiática atual, era comum que as apresentações ao vivo dos artistas fossem o momento da performatização da canção, hoje, as apresentações ao vivo carregam traços de algo criado previamente. Antes do lançamento dos álbuns de estúdio, é comum que o artista lance uma música de trabalho (single) e pouco tempo depois um clipe do single já revelado. Para servir como exemplo, podemos usar a  coreografia encenada no vídeo que é transposta para os palcos ou mesmo um universo inteiro criado pelo artista em um disco conceitual-narrativo. Como atesta Janotti:

A performance da canção pop ganha formas de estar em circulação e de ocupar espaços. A metáfora de que, num período em que não havia a configuração midiática, a performance do artista ao vivo era seu “objeto de criação” passa a ser substituída por uma regra em que o “objeto de criação” passa a “criar outros objetos”.Seguindo esse conceito, perceberemos quais os constituintes que levaram a performance midiática inscrita na canção pop para os caminhos do videoclipe. (JANOTTI, 2008, p. 102).

É possível classificar o vídeo segundo três aspectos: a gestualidade a oralidade e como construtor de cenário, todos estes aspectos citados são os produtores de sentido do videoclipe. Apropriando-se do gancho da coreografia citado anteriormente comecemos com as gestualidades materializadas pelos clipes.

A partir da bibliografia usada neste trabalho, à luz de pesquisadores do videoclipe, percebe-se que o gestual na música não está necessariamente ligado à dança e dessa forma são trazidos a tona expressões como a corporificação e a tradução rítmica. A performance rege todos os desdobramentos da canção e isso não é diferente quando se trata das gestualidades, definidas aqui como o conjunto de sinais emitidos pelo corpo para performatizar um estímulo sonoro. Além disto, é preciso levar em conta quem canta a canção e a personalidade de quem está tocando a faixa musical.


JANOTTI JR, Jeder; SOARES, Thiago. O Videoclipe como Performance da Canção: Apontamentos para Análise. In: X Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste (Intercom): São Luís., 2008.

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