LOVE – LANA DEL REY

love

Nos primeiros minutos, tensão. Tela negra e um baixo ao fundo. Depois Lana aparece brilhando sobre o P&B com vestido noivinha. Flores no cabelo, minimalismo e fotografia impecável dominam o clipe de “Love” no primeiro instante. É natural nos perguntarmos: vai ser só isso mesmo? E também é natural respondermos a nós mesmos: pois é, é Lana Del Rey, então vamo lá nessa intercalação de planos durante 5 minutos. O problema é que Lana surpreendeu. Na execução do primeiro refrão, há uma virada. Tudo fica colorido. Colorido como deveria ser a nossa juventude. Lana não atua no clipe, exceto como ela mesma e não vale, né? “Love” é uma música mais madura e creio que ela canta para os fãs (Look at you kids with your vintage music). Música vintage a qual estamos agarrados desde “Born To Die”. É como se ela, num palco, ou na Lua (atenção para o detalhe de distanciamento que ela mantém no clipe), cantasse para nós lá do alto, nos aconselhando de certa forma como se fosse uma professora ou palestrante que já adulta, se sente confortável em compartilhar algum conhecimento sobre a vida. É como se ela agradecesse quando diz que “you’re the kids are the coolest” ou quisesse nos confortar dizendo que tudo vai ficar bem (don’t worry baby). Lana ainda adiciona certo tom social dentro da canção quando diz que “you’re part of the past, but now you’re the future”, trazendo a ideia do jovem como futuro de uma nação. Quem acompanha a artista nas redes sociais sabe que ela vem tratando desse tipo de questão.

O nacionalismo de Lana, a principio, que também é marca forte da sua própria estética, ficava restrito na esfera romântica. Por outro lado, o otimismo não é o ponto forte das músicas de Lana Del Rey, mas quando uma perspectiva boa de futuro aparece nas letras, pode ter certeza de que é algo verdadeiro e ela mostra isso na sequência constante de sorrisos que são raros dentro de sua videografia. “Love” é como Lana materializa, ainda que melancólica, a própria felicidade, ou a noção de estar alegre. Em entrevistas, ela fala que “Video Games” foi composta durante um dos seus períodos mais agradáveis, e em “Love” encontramos elementos que entram em paralelo com a mesma imagética: o skate, as pessoas se divertindo, a água e as paisagens solares. “Love” é a versão de Lana para “Teenage Dream”.  A representação do Universo surge do lado metafísico da artista, trazendo a ideia de que todos somos parte do cosmos ou como diria Carl Sagan, astrônomo americano, que somos poeira das estrelas. The world is yours and you can’t refuse it. Pessoas jovens, olhos refletindo as estrelas e a Terra ao fundo, como se fosse nossa obrigação cuidar do planeta. O que Lana quer dizer é que apesar de tudo, o que interessa mesmo e o que a gente leva daqui é o amor. E a gente realmente leva algo daqui pois somos tão eternos quanto o Sol. Lana nos diz que apesar das nossas crises, tudo vai ficar bem, que vai ficar tudo bem mesmo que não estejamos indo pra um lugar em particular. Ela diz que o mundo é nosso, mas isso não quer dizer que devemos abusar dessa liberdade.

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